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BESS virou buzzword? Entenda o uso correto do termo (e pare de errar)

  • Foto do escritor: ProfJL
    ProfJL
  • 3 de mai.
  • 2 min de leitura

Com o avanço das tecnologias de armazenamento, muita gente no mercado passou a utilizar o termo BESS de forma equivocada. Para quem ainda não está familiarizado, BESS significa Battery Energy Storage System (Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias). Porém, não é qualquer uso de bateria que pode ser classificado como um BESS.

A principal norma que orienta esses sistemas é a IEC 62933, porém a mesma trata com EES (Electrical Energy Storage), pois trata de todos os tipos de armazenamento, não somente bateria. Ela define vocabulário, parâmetros, ensaios e requisitos de segurança, sendo estruturada em diversas partes. Como se trata de um tema relativamente recente, essa norma vem sendo constantemente atualizada à medida que o setor amadurece.


Mas vamos ao ponto principal: um BESS não é definido apenas pela potência, pela capacidade ou simplesmente pelo uso de baterias, como muitos imaginam. Um BESS é, antes de tudo, um sistema integrado, composto por três elementos fundamentais:


  • BMS (Battery Management System): sistema de gerenciamento da bateria, responsável por monitorar variáveis como temperatura, tensão, estado de carga e condições operacionais. Ele garante a segurança e a vida útil da bateria, permitindo a carga e descarga.

  • EMS (Energy Management System): sistema de gerenciamento de energia, que atua na lógica de operação do sistema. Ele manda carregar ou descarregar com base em estratégias como custo da energia, demanda e otimização do sistema.

  • PCS (Power Conversion System): sistema de conversão de potência, responsável executar a conversão da energia entre corrente contínua e alternada, permitindo a integração com a rede elétrica.


Esses três componentes precisam operar de forma coordenada. Não adianta o EMS “querer” carregar se o BMS não permitir. É um sistema que exige inteligência e integração.

Além disso, para que um sistema seja de fato classificado como um BESS, ele deve atender a alguns requisitos adicionais:


  • Instalação certificada como sistema completo;

  • Proteção e controle em nível sistêmico;

  • Plataforma de operação e supervisão integrada.


Ou seja, fica claro que não faz sentido chamar uma bateria isolada de BESS. Esse uso equivocado do termo tem sido cada vez mais comum, muitas vezes impulsionado por estratégias de marketing.


Isso ainda é o de menos, pois existem diversos desafios pela frente. O dimensionamento de um BESS está longe de ser trivial, exige modelagem complexa, simulações e, dependendo do caso, alto poder computacional. Mesmo assim, há muita gente tratando o tema com superficialidade, e é justamente aí que mora o perigo. Soma-se a isso a questão da qualidade dos equipamentos. Se já é difícil garantir a qualidade de módulos fotovoltaicos no Brasil, imagine em sistemas mais complexos como os BESS. Além disso, a regulamentação ainda não está bem definida. Ou seja, ainda há muita coisa para evoluir. Vamos acompanhar os próximos capítulos.


Os desafios são grandes. Mas, por outro lado, isso é um ótimo sinal. Mostra que o setor está evoluindo, e rápido.

 

1 comentário


Gilberto Berri Junior
Gilberto Berri Junior
há 3 dias

Parabéns pelo artigo, Prof. João Lucas! Além disso, em termos de segurança contra incêndio, muitos sistemas classificados como BESS precisam atender à UL 9540.

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